Veja a seguir a entrevista com o especialista Marcelo Pinto sobre o papel do MES na Gestão do Supply Chain.

  • Quais as funcionalidades do MES?

Marcelo – Para entender as funcionalidades do MES, acho importante apresentar um breve histórico. O termo MES, Manufacturing Execution Systems, foi usado pela primeira vez pela AMR Research (hoje parte da Gartner, Inc) no início da década de 1990 como parte do modelo de 3 camadas que criou para relacionar as 3 principais atividades de uma indústria, Planejamento, Execução e Controle, a 3 grupos de sistemas de informações, respectivamente, ERP/MRPII/SCM, MES, PLC/SCADA/MMI.

Modelo de 3 camadas da AMR Research

Esse modelo simples focava a camada de execução na necessidade de conectar as camadas de planejamento e controle.

Na mesma época, a MESA International expandiu o modelo posicionando o MES como um hub de informações para conectar diversos sistemas industriais e descrevendo suas 11 principais funcionalidades, resumidas a seguir:

  1. Alocação e Status de Recursos: gerencia o status de recursos como máquinas e operadores em tempo real, disponibilizando histórico detalhado.
  2. Sequenciamento das Operações: sequencia as operações com base na capacidade finita dos recursos, em prioridades e atributos, visando balancear a carga entre os recursos, reduzir setups e otimizar o atendimento dos prazos de entrega.
  3.  Despacho de Unidades de Produção: gerencia o fluxo da produção na forma de ordens, bateladas e lotes e apresenta a informação na sequência em que o trabalho precisa ser executado. Possui a capacidade de controlar processos de retrabalho e de controlar o estoque em processo em qualquer etapa do processo.
  4. Controle de Documento: controla documentos que precisam ser mantidos junto às unidades de produção, incluindo instruções de trabalho, receitas e desenhos. Disponibiliza informações para operadores e envia dados para os dispositivos de controle.
    Coleta de Dados: disponibiliza interfaces para coleta dados de produção e de processo de forma manual ou automática, em tempo real.
  5.  Gerenciamento da Mão de Obra: apresenta o status da mão de obra em tempo real. Inclui controle de horas produtivas e indiretas, assim como o controle de certificações.
  6.  Gerenciamento da Qualidade: disponibiliza a análise em tempo real de medidas coletadas da produção para garantir o controle da qualidade e identificar problemas que requerem atenção. Inclui o controle estatístico de processo e o gerenciamento de inspeções off-line.
  7.  Gerenciamento do Processo: monitora a produção e disponibiliza informações e/ou alarmes em tempo real para os operadores corrigirem ou melhorarem as atividades in-process.
  8.  Gerenciamento da Manutenção: direciona as atividades para manter equipamentos e ferramentas e garantir a disponibilidade para produção.
  9. Genealogia e Rastreabilidade de Produto: dá visibilidade de onde o produto está a qualquer momento e informações sobre os recursos e materiais utilizados, incluindo dados de fornecedores, lotes e números de série. O registro histórico que permite rastrear os componentes e uso de cada produto final.
  10.  Análise de Performance: compara resultados da planta com os objetivos e métricas estabelecidas pela corporação, clientes ou agentes reguladores. Inclui métricas como OEE, MTBF/MTTR, Cp/CpK, entre outros.
Modelo Funcional do MES da MESA International

Em síntese, a MESA definiu o MES como o termo usado para designar os SISTEMAS focados no gerenciamento das operações de manufatura e que estabelecem uma LIGAÇÃO direta entre o PLANEJAMENTO e a EXECUÇÃO.
Esses sistemas geram INFORMAÇÕES que POSSIBILITAM a OTIMIZAÇÃO das atividades de PRODUÇÃO desde a emissão de uma ordem até o despacho de produtos acabados, utilizando dados precisos e em tempo real.

Em meados da década de 2000, a ISA, Instrumentation, Systems, and Automation Society, publicou a norma ISA-95 que provê o padrão de terminologia e um consistente conjunto de conceitos e modelos para integrar sistemas de controle com sistemas empresariais e definir as atividades de gerenciamento das operações de produção.

No modelo abaixo a ISA numerou as camadas entre as máquinas e os sistemas empresariais e introduziu um novo acrônimo para descrever a camada MES, o MOM (Manufacturing Operations Management). O fato é que o MES da MESA e MOM da ISA são duas denominações distintas para a mesma camada de execução.

Hierarquia Funcional da ISA-95

A ISA-95 também detalhou as atividades da camada MES e as distribuiu igualmente em quatro grandes pilares, Produção, Manutenção, Qualidade e Inventários, conforme a figura abaixo.

Modelo de Atividades do Gerenciamento de Operações da ISA-95

 

Atualmente, são os modelos da ISA os mais utilizados para descrição de funcionalidades, especificação de requisitos de projetos e avaliação de produtos MES.

  • De que maneira o MES contribui com a cadeia de suprimentos?

Marcelo –   gerenciamento da cadeia de suprimentos obtém do MES informações precisas e em tempo real para tomada de decisões de modo mais ágil e seguro. As funcionalidades do MES garantem alta acurácia dos inventários e o conhecimento da real capacidade da fábrica, informações fundamentais para os processos de planejamento de materiais e prazos. Para melhoria do atendimento dos clientes, o MES contribui com o monitoramento online da situação das ordens de produção e a geração de laudos de qualidade que atestam o atendimento dos padrões e normas do mercado. A rastreabilidade de lotes, permite agilizar o processo e reduzir o volume de Recalls. Os ganhos de produtividade gerados pelo MES permitem o aumento da competividade da cadeia de suprimentos em que a unidade produtiva está inserida.

  • De que maneira o MES e o APS (Advanced Planning & Scheduling Systems) se integram?

Marcelo – O APS obtém do MES os índices reais de produtividade dos recursos para considera-los nos cálculos de capacidade, permitindo uma programação mais realista e prazos de entrega mais precisos. Por sua vez, o MES obtém do APS a sequência de ordens dos recursos para publicá-la aos operadores. Finalmente, os eventuais desvios entre o planejado e o realizado são registrados pelo MES e enviados para o APS atualizar as datas de início e fim das operações e manter o programa de produção sincronizado com a fábrica.

  • De que maneira o MES se integra a Internet das Coisas? E quais as vantagens disso?

Marcelo –  A nova geração dos sistemas MES já é desenvolvida para usufruir das tecnologias de Computação na Nuvem, visando o modelo de negócios de Software as a Service (SaaS) que reduz a necessidade dos investimentos em infraestrutura e licenças, garante maior segurança dos dados e a alta disponibilidade do sistema. Ainda nesse contexto, a internet das coisas viabilizará a conexão direta entre o MES na nuvem e plataformas IoT conectadas a um número cada vez maior de sensores na fábrica, para ampliar o monitoramento dos recursos, materiais e produtos, pavimentando o caminho para aplicação dos conceitos da Indústria 4.0, com máquinas e produtos mais inteligentes.
Entre os benefícios operacionais esperados, podemos citar a melhoria da eficiência energética, a redução do consumo de água, a melhoria da eficiência global da operação e a redução nos tempos de ciclos.

  • Qual o diferencial da ferramenta de vocês?

Marcelo – O PC-Factory MES é produto de mais de 25 anos de experiência da PPI-Multitask na aplicação das tecnologias de informação e automação no chão de fábrica. Essa experiência se traduziu na rica parametrização do software, que permite implantar soluções modulares, simples ou complexas, aderentes a diferentes processos produtivos e tipos de produção, com maior ou menor grau de automação e com uma forte integração com os sistemas empresariais (ERPs).
Os módulos do PC-Factory contemplam os 4 pilares da ISA-95, controlando a Produção, Qualidade, Manutenção e Inventários, gerando, em tempo real, indicadores como OEE, MTBF/MTTR, Cp/Cpk e o balanço de materiais por ordem de produção (consumo planejado x realizado).
O PC-Factory é o primeiro MES no Brasil com aderência total aos requisitos do Bloco K do SPED Fiscal, que obrigará as indústrias a enviar mensalmente os reportes de produção e consumo por ordem de produção para a Receita Federal.
Se integra com os principais sistemas APS do mercado para manter o PCP sincronizado com o chão de fábrica.
As telas da interface com os operadores são gráficas, touch screen, intuitivas e permitem não apenas a entrada de dados manuais, mas também a consulta online de documentos e KPIs para o controle da performance durante o turno de trabalho pelos próprios operadores.
Para a interface dos operadores (IHM), os clientes do PC-Factory podem usar desde desktops, thin clients, coletores portáteis rádio frequência, tablets, até smartphones. Uma IHM própria do PC-Factory, o TG40, com tela touch screen de 7 polegadas, também é uma alternativa. A infraestrutura da rede industrial pode ser cabeada ou wireless.
Os gestores da fábrica podem acompanhar a produção via WEB, com visão online e histórica de todos os módulos do sistema, com relatórios e dashboards personalizados e interface com Excel.
Isso tudo, somado ao fato de ser um sistema multilínguas, levou o PC-Factory a ser adotado por mais de 200 indústrias no Brasil e em diversos países da Ásia, Europa e América Latina.
Entre os clientes do PC-Factory, podemos citar a Alstom, Bauducco, Coca-Cola, Dixie Toga, Duratex, Goodyear, Nokia, Premier Pet, Sotreq, Stanley Black&Decker, ThyssenKrupp e Zoetis.
A nova versão do PC-Factory, a 4ª geração do produto, já está disponível para operação em nuvem pública ou privada e na modalidade SaaS.

PC-Factory MES
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